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segunda-feira, abril 15, 2024

Dorival Júnior, o ‘bombeiro’ para apagar o incêndio na Seleção

Em pouco mais de duas décadas como treinador, seu nome virou sinônimo de “bombeiro”. Agora, Dorival Júnior colocará à prova sua merecida fama ao assumir o maior desafio de sua carreira: dirigir a Seleção Brasileira em crise.

Aos 61 anos, Dorival vai tentar resgatar o prestígio do Brasil após um 2023 para esquecer, com fracassos dentro e fora de campo.

Criado no meio do futebol (seu pai foi dirigente da Ferroviária de São Paulo; seu tio, Dudu, um dos maiores ídolos do Palmeiras), o treinador é a aposta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para Seleção reencontrar o caminho das vitórias rumo à Copa de 2026, em que o Brasil buscará seu sexto título mundial, o primeiro desde 2002.

Dorival vai substituir Fernando Diniz, que ocupou o cargo com pouco sucesso nos últimos seis meses e que, nos planos da CBF, daria lugar ao italiano Carlo Ancelotti, que acabou renovando seu contrato com o Real Madrid em dezembro.

O desafio será endireitar o rumo da Seleção, que Diniz deixou à deriva: sexto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas com três derrotas nos últimos três jogos, a última delas para a Argentina (1 a 0), em pleno Maracanã, que encerrou a invencibilidade do Brasil como mandante na competição.

Evolução futebolística

O desafio parece à altura de um homem que se forjou como “salva-vidas” de equipes, e que nos últimos dois anos aumentou sua galeria de troféus com conquistas importantes.

Após uma longa e discreta carreira como volante de times da primeira e da segunda divisão, Dorival começou sua trajetória como técnico na Ferroviária de Araraquara, sua cidade natal, em 2002.

Desde então, comandou nove dos 12 times mais tradicionais do país: Flamengo, Vasco, Fluminense, São Paulo, Palmeiras, Santos, Internacional, Cruzeiro e Atlético-MG.

Se consolidou como nome de peso ao vencer pelo Flamengo em 2022 a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, título que repetiu em 2023 pelo São Paulo.

No clube carioca, mudou o curso da temporada após um mau início com o técnico português Paulo Sousa. No tricolor paulista, guiou a equipe ao primeiro título da Copa do Brasil.

Em ambos implementou sua filosofia surgida a partir de 2015, quando tirou um período sabático para aprender novos conceitos visitando clubes europeus, entre eles o Bayern de Munique de Pep Guardiola: jogo com posse de bola e ofensivo, preferencialmente com um camisa 10 no meio-campo.

No ‘Velho Continente’, chegou junto com um de seus três filhos, Lucas, que também é seu assistente técnico.

Desde então, “dei mais importância para a parte tática, sem esquecer da parte técnica, para ajudar a melhorar o futebol brasileiro”, explicou no passado.

Atrito com Neymar

Antes dessa viagem, seu cartão de visita era o futebol ofensivo que priorizava a velocidade e os toques curtos, uma fórmula com a qual fez sucesso no Santos em 2010.

Foi no ‘Peixe’ que Dorival levantou seu primeiro título como treinador, uma Copa do Brasil dirigindo um jogador com quem teve um atrito e deve se reencontrar na Seleção: Neymar, que na época tinha apenas 18 anos.

O técnico se opôs ao atacante cobrar um pênalti. O agora maior artilheiro da história da Seleção o insultou em campo, e o treinador sugeriu que ele fosse afastado por dois jogos, mas a diretoria do Santos discordou e demitiu Dorival.

Ambos evitaram qualquer polêmica posteriormente, evidenciando outra característica do comandante: a de administrar bem o vestiário.

“É um cara muito transparente, dá ótimos treinos, não tenho o que falar”, disse recentemente o meia-atacante Lucas Moura, que foi seu jogador no São Paulo, clube que deixou no último domingo para realizar o “sonho” de dirigir o Brasil.

Seu nome já era especulado pela imprensa como substituto de Tite (2016-2022) ao término da Copa do Mundo do Catar.

Mas nem tudo em sua vida foi um mar de rosas. Em 2019, teve diagnosticado um câncer de próstata, que venceu um ano depois.

“O câncer me fez dar outro valor à vida”, disse Dorival em 2020. “Parei de esquentar a cabeça com situações que parecem graves, mas que realmente são banais”.

© Agence France-Presse

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Fonte: Jornal de Brasília

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