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sexta-feira, julho 19, 2024

Estiagem e nº de queimadas mostram que seca será severa no DF em 2024

Aumento de 13 para 69 casos indicam forte seca em 2024 e acende alerta

O ano de 2024 registra um aumento considerável no número de casos de incêndios florestais. Dados de janeiro a maio mostram que já houve quatro vezes mais queimadas no Distrito Federal em comparação ao mesmo período de 2023. A crescente é reflexo de um ano seco e quente, e acende um alerta para os próximos meses.

Instituto Brasília Ambiental (Ibram) indica que, de janeiro a maio de 2023, houve 13 incêndios florestais no DF. No mesmo período em 2024, este número subiu para 69. Traduzindo para hectares, foram 9,13ha destruídos no ano passado contra 169,08 este ano. Os dados são referentes às 86 unidades de conservação e parques sob responsabilidade do órgão.

Para o presidente do Brasília Ambiental, Rôney Nemer, a alta nos termômetros influenciou para mais queimadas. Nemer relembra que a média do último verão (dezembro de 2023 a março de 2024) ficou acima do esperado, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “A média da temperatura máxima foi de 22,8ºC, 0,9 graus acima do esperado, que é 21,9ºC. A temperatura mínima foi de 19,3ºC, 1,1ºC acima do normal”, justifica.

Perguntado sobre as ações de prevenção a incêndios que ainda acontecerão este ano, o presidente cita a contratação antecipada de 150 brigadistas florestais como a principal medida. Os novos profissionais estão passando por seleção e serão efetivados em julho. “Antes, as contratações sempre aconteciam em agosto”, frisa Rôney.

Em contato com a reportagem, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) alegou que seu sistema de banco de dados está passando por migração e, por isso, não conseguiu informar dados referentes a incêndios em 2023 e 2024. O novo comandante-geral, Sandro Gomes, assegura, entretanto, que a corporação está preparada para combater as queimadas futuras.

“Na próxima semana, nós vamos lançar a Operação Verde Vivo, que vai contar com mais de 600 homens. É uma ação montada justamente para amenizar os incêndios no Distrito Federal”, afirma Gomes. “Eu sou um especialista na área, tenho curso de incêndio florestal em 1998, e a preservação ao meio-ambiente será prioridade”, promete.

Mais de 50 dias sem chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia aponta que a estiagem começou mais cedo no DF em 2024. Houve chuvas significativas nos primeiros quatro meses do ano, mas, em maio, a seca derrubou os índices de maneira expressiva. Já não chove há mais de 50 dias na capital — a última vez foi em 23 de abril.

“A média de chuvas para maio, que já é um mês onde quase não chove, é de 27 milímetros. Em 2023, o número foi de 32,1 mm; já neste ano, foi de 0mm”, analisa o meteorologista Heráclio Alves, do Inmet. Um milímetro de chuva equivale a um litro d’água por metro quadrado

Cuidados

Heráclio alerta que a combinação de temperaturas altas, umidades relativas do ar baixas e vegetação seca é favorável para que surjam incêndios. “Além disso, os ventos ficam mais fortes no período de estiagem e ajudam a propagar o fogo mais rapidamente”, explica o meteorologista. “Uma bituca de cigarro, um carvão mal apagado daquele churrasco que se faz em casa e um lixo queimado incorretamente, por exemplo, podem dar início a uma queimada de grandes proporções”

Neste sentido, o presidente Rôney Nemer, do Brasília Ambiental, pede que a população mantenha os cuidados já conhecidos, como não jogar bitucas de cigarro pela janela. “E para as pessoas que têm autorização [para fazer queimadas controladas], façam com cuidado, num dia em que não estiver ventando muito, porque pode ocorrer de o vento forte propagar uma pequena fagulha e causar problemas”, alerta Nemer.

Sem riscos de desabastecimento

Apesar de um 2024 mais seco em relação a 2023, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) afirma que, até o momento, a capital não corre riscos de sofrer com desabastecimento de água. O órgão explica que, durante a seca, há, sim, uma baixa nos níveis das bacias do Descoberto, Santa Maria e Corumbá IV, mas que trata-se de um declínio natural.

“Apesar do início do rebaixamento das reservas de água, informamos que o somatório dos volumes observados encontram-se dentro do esperado para o período”, informa o órgão. Atualmente, o reservatório do descoberto está com 98,7% de volume útil, e o de Santa Maria, 60,8%.

A Adasa pede ainda que “todas as instituições, órgãos de governo, setores produtivos e sobretudo a população mantenham postura consciente e responsável com relação ao uso da água”.

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