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Advogado abandona jogador que chutou o árbitro. William pode ser preso. CBF quer pedir à Fifa o banimento

Árbitro corre o risco de cirurgia nas vértebras do pescoço. Pelo covarde pontapé na nuca

Árbitro corre o risco de cirurgia nas vértebras do pescoço. Pelo covarde pontapé na nuca Reprodução/Federação Gaúcha

São Paulo, Brasil

“O atleta da equipe do Sport Club São Paulo, o senhor Willian Cavalheiro Ribeiro, nº 10, após ser advertido com aplicação do cartão amarelo, aos 14 (quatorze) minutos do segundo tempo, por reclamar de maneira acintosa da não marcação de uma falta a favor da sua equipe, imediatamente correu em direção ao árbitro Rodrigo Crivellaro.

“Desferiu um soco frontal na região do rosto, causando cortes e sangramento no nariz e boca, ocasionando a queda do mesmo no gramado.

“Em ato contínuo, acertou um chute violento na nuca do árbitro, sem qualquer possibilidade de defesa, causando traço de fratura do processo espinhoso de C6, deixando-o inconsciente.”

Mesmo na frieza da linguagem de uma súmula de futebol se percebe a selvageria que sofreu o árbitro Rodrigo Crivellaro. A agressão aconteceu há cinco dias, na segunda-feira, em Venâncio Aires, Rio Grande do Sul. 

O soco, a transmissão perdeu. Mas as imagens do covarde e violentíssimo pontapé na nuca do juiz, que estava caído no gramado, ficaram registradas e correram o mundo, pela Internet.

Agora, as consequências.

Primeiro, o árbitro Rodrigo. Ele sofreu um fortíssimo trauma na vértebra 6, osso que fica na base do pescoço. Se houvesse o rompimento, poderia ter ficado paraplégico ou até mesmo morrer.

Rodrigo fará avaliação na próxima quinta-feira para avaliar a possibilidade de cirurgia ou não, se houver um deslizamento de vértegras.

Até por conta disso, ele já está usando um colar ortopédico. Ficará com ele, no mínimo, por três meses. Não poderá trabalhar como árbitro, portanto. E também não conseguirá desempenhar a função de preparador físico.

Ele ainda está com a boca rasgada pelo soco. E sente fortes dores no pescoço pelo chute que recebeu.

Deu várias entrevistas em Porto Alegre.

“Fiz uma ressonância, estou com uma lesão na C6 ali na cervical, na vértebra 6, uma lesão ligamentar. Vou ter que usar esse colar durante 90 dias, em casa, sem trabalhar. Se por acaso ocorrer um deslizamento das vértebras eu vou ter que fazer cirurgia.

“Rezo todos os dias para que consiga a recuperação naturalmente

“No acompanhamento médico eu tenho falado com o traumatologista 24 horas por dia, tomando antiinflamatório… Aparentemente ficarei por um bom tempo com este colar durante o dia inteiro para não mexer na cervical. Volta e meia sinto dor, seja quando fico muito tempo sentado, deitado ou de pé”, desabafou ao Zero Hora.

Há uma séria possibilidade de o árbitro processar o jogador, não só pela agressão, mas pelo período que ficará impossibilitado de trabalhar.

A Federação Gaúcha de Futebol se comprometeu a ajudá-lo financeiramente durante sua recuperação.

Em relação ao jogador, sua situação é complicadíssima.

A princípio, não terá o perdão do árbitro.

“Não tenho vontade nenhuma de falar com ele. Espero que pague pelo que fez, que não jogue mais futebol, uma pessoa assim não dá para chamar de atleta. Com todos os antecedentes criminais que ele tinha é impossível que uma pessoa assim jogue futebol. Tem que pagar por tudo que fez”, desabafou ao Lance!.

E por ‘pagar tudo que fez’ significa responder na justiça à acusação de tentativa de homicídio. Podendo pegar uma pena de até 20 anos de reclusão.

Willian Ribeiro foi levado para a prisão na madrugada da terça-feira passada e solto no mesmo dia. 

Mas seu histórico de agressões. Revelado pelo pequeno Progresso de Pelotas, ainda garoto bateu em um árbitro. E tentou socar o pai de um jogador adversário. Seu comportamento agressivo sabotou sua carreira. Fazendo que tivesse passagens curtas em 14 equipes. A maior delas, o Internacional.

Ele tem três boletins de ocorrência contra ele. Duas lesões corporais e uma por ‘via de fato’. Elas aconteceram em 2009, 2015 e 2021. Este ano, Willam já havia batido em torcedor do próprio São Paulo, clube que atua, por ele estar xingando o treinador do clube.

Willian teve seu contrato rescindido com o São Paulo, por justa causa.

O advogado José Felipe Lucca, que defendia o jogador, e afirmou que ele ‘nunca teve a intenção de matar’ o árbitro, abandonou o caso.

O que é um péssimo sinal.

A Federação Gaúcha vai julgar o jogador de 30 anos. A agressão com lesão grave ao árbitro pode custar até 720 dias afastado do futebol, pela legislação esportiva brasileira.

Mas a Fifa pode banir Willian pela atitude.

E há um movimento na CBF para que chegue à Fifa o pedido de banimento. Até para que sirva de exemplo aos demais jogadores do país.

O delegado Vinícius Lourenço de Assunção, de Venâncio Aires, o autuou, em flagrante, por tentativa de homicídio. Se condenado, a pena pode chegar a 20 anos de prisão.

Willian tem se recusado a explicar o que aconteceu.

Sabe que terá de enfrentar sérias consequências.

Dentro e fora de campo…

Fonte: R7 – Esportes

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