Seminário do Grupo Mulheres do Brasil coloca equidade racial e representação feminina como agenda estratégica para o Congresso Nacional em ano decisivo para a democracia
Nesta terça-feira (24), das 8h30 às 12h30, a Câmara dos Deputados sediará a quarta edição do seminário anual promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil/Núcleo Brasília, pela Secretaria da Mulher da Câmara e pela associação Elas Pedem Vista. Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o encontro deste ano assume um contorno político mais explícito ao eleger como tema “Elas querem um Brasil mais Inclusivo e Diverso”.
Após três edições que trataram da igualdade na política, da presença feminina nos espaços de poder e da força dos coletivos na promoção de direitos, o seminário de 2026 concentra-se na questão racial como eixo estruturante da democracia brasileira. Em um ano de disputa eleitoral e reorganização de forças políticas, o debate sobre a inserção e a permanência de mulheres negras na política ganha centralidade.
A programação prevê mesa de abertura com lideranças do Congresso Nacional e representantes da sociedade civil, dois painéis dedicados ao feminismo negro nas políticas públicas e aos desafios enfrentados por mulheres negras em posições de comando, além da leitura da carta “Propostas para a Equidade, um apelo ao Congresso Nacional”, documento que reunirá recomendações construídas a partir das discussões do encontro.
Para a presidente do Grupo Mulheres do Brasil/Núcleo Brasília, Janete Vaz, a discussão não pode ser tratada como agenda paralela.
A sub-representação de mulheres negras nos espaços de decisão não é um detalhe estatístico, é um problema estrutural da nossa democracia. Quando essas vozes não estão na mesa onde as decisões são tomadas, o país perde perspectiva, perde legitimidade e perde eficiência na formulação de políticas públicas, explica Vaz.
Segundo ela, o momento exige posicionamento institucional firme.

A conselheira do Grupo Mulheres do Brasil, Carol Caputo, destaca que o momento exige coragem política e compromisso público.
Não se trata apenas de ampliar candidaturas, mas de garantir condições reais de permanência e influência nos espaços de poder. A política precisa refletir a sociedade que governa. Se a maioria da população é composta por mulheres e pessoas negras, essa realidade deve se traduzir nas estruturas de decisão. A omissão diante desse desafio mantém desigualdades históricas, afirma.

A colíder do Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil/Núcleo Brasília, Dora Gomes, reforça que o debate precisa enfrentar os obstáculos que ainda operam de forma silenciosa no sistema político. “Não basta abrir espaço formal se as estruturas continuam funcionando para excluir. Mulheres negras enfrentam barreiras que vão do acesso desigual a recursos até a violência política explícita ou velada. Se o processo eleitoral não garantir condições reais de disputa e permanência, continuaremos falando de inclusão sem alterar o centro do poder. A democracia brasileira precisa decidir se quer ser apenas representativa no discurso ou efetivamente diversa nas decisões. O momento eleitoral é a hora da verdade”, pontua.
Dentro dessa perspectiva de incidência institucional, o seminário já convidou a ministra Cármen Lúcia para refletir sobre os caminhos para ampliar a presença feminina nos espaços de poder para além dos mecanismos formais já existentes. Ao final do encontro, será entregue a parlamentares e autoridades a carta “Propostas para a Equidade, um apelo ao Congresso Nacional”, consolidando as diretrizes debatidas ao longo da manhã e transformando o seminário em um instrumento concreto de diálogo com o Legislativo.
Realizado anualmente na Câmara dos Deputados, o seminário consolidou-se como espaço de formulação política e articulação institucional. Nesta edição, assume um papel ainda mais estratégico ao colocar a equidade racial no centro do debate público em ano eleitoral.
Em um cenário pré-eleitoral, a discussão também dialoga diretamente com os partidos políticos e suas estruturas internas. A ampliação da participação de mulheres negras nas chapas, nas direções partidárias e nas campanhas deixa de ser pauta retórica e passa a ser critério concreto de compromisso democrático. O seminário propõe que a representatividade não seja apenas um discurso de período eleitoral, mas uma prática estruturante da política nacional.
Para a diretora da associação Elas Pedem Vista, Marcelise Azevedo, o momento eleitoral amplia a responsabilidade das lideranças políticas. “A eleição é o momento em que partidos e dirigentes demonstram, na prática, o que defendem em teoria. Garantir espaço real para mulheres negras nas chapas, nas campanhas e nas estruturas partidárias não é concessão, é compromisso democrático. Representatividade não pode ser episódica. Se mulheres negras aparecem apenas como símbolo durante a campanha e desaparecem dos espaços de decisão depois da eleição, a democracia continua incompleta”, diz Azevedo.
Ao colocar esse debate dentro do Congresso Nacional, o Grupo Mulheres do Brasil/Núcleo Brasília reafirma que o processo eleitoral precisa refletir a diversidade do país que pretende governar. A construção de candidaturas viáveis, o acesso equitativo a recursos de campanha e a garantia de proteção contra violências políticas de gênero e raça são temas que atravessam a eleição e exigem posicionamento claro das lideranças partidárias.
As inscrições estão abertas, são gratuitas e podem ser feitas clicando aqui
Programação
Data: 24/03/2026
Local: Câmara dos Deputados
8h30 às 9h – Credenciamento
9h às 10h – Mesa de abertura
10h às 11h – Painel 1 – Feminismo negro nas políticas públicas, impactos e perspectivas
11h às 12h – Painel 2 – Mulheres negras no poder, desafios, avanços e horizontes
12h às 12h15 – Palestra
12h15 às 12h30 – Encerramento e entrega da carta “Propostas para a Equidade, um apelo ao Congresso Nacional”
12h30 – Almoço por adesão

