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Sobrecarga no sistema de saúde: O ciclo se repete em todos os âmbitos

Plantões extensos, poucas horas de sono, baixa exposição à luz solar e árdua cobrança. Isso te lembra algo? Dois anos depois da chegada da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o ciclo volta a se repetir e, novamente, o adoecimento psíquico dos profissionais da saúde que presenciam cada vez mais o aumento no número de casos de contágio pela ômicron, preocupa. “Ao entrar no terceiro ano de pandemia, as novas cepas da covid-19 e outros vírus como o H3N2 e suas variantes, estão gerando uma angústia existencial naqueles que estão na linha de frente no combate às doenças”, avalia a psicóloga e professora do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Valéria Mori.

O avanço significativo na vacinação por todo país, fez com que uma grande parcela da população se sentisse mais confortável para voltar às atividades normais, relaxando com as medidas de segurança e se esquecendo da facilidade de reinfecção pelo vírus. Diante disso, uma nova onda vigora no Brasil e, além da alta exposição aos agentes infecciosos e químicos, as condições de trabalho às quais os profissionais da saúde estão submetidos são, muitas vezes, precárias. Além disso, muitos ainda têm que lidar com a falta de mantimentos de testagem, que se tornam fatores agravantes para a saúde dos trabalhadores que precisam lidar diretamente com o sofrimento humano.

Diante desse cenário de adoecimento coletivo, o médico infectologista do Hospital Anchieta de Brasília, Victor Bertollo, tem vivido na pele os efeitos dessa situação. “Todos nós da área da saúde estamos vivendo esse processo há mais de dois anos, o que tem gerado grande desgaste físico, mental e emocional”, comenta o profissional. “Soma-se a esse desgaste o adoecimento dos próprios profissionais que também estão se contaminando, com a necessidade de afastamento das atividades, e a consequente sobrecarga de trabalho dos demais profissionais”, acrescentou Victor.

De acordo com a psicóloga, agora, é de extrema importância ter espaços para conversa, de modo que todas as angústias e preocupações sejam postas para fora. “Seja com colegas de trabalho, amigos, mas principalmente um terapeuta para poder ouvir o que essa pessoa tem a dizer”, salienta Valéria. “É essencial poder dialogar e expressar as dificuldades do dia-a-dia, porque a psicoterapia, através do diálogo, pode ser uma possibilidade para pensar na vida além do desgaste cotidiano”, pontuou a especialista. Outro ponto levantado pela docente e que merece atenção, é sobre os malefícios que a falta desses espaços para diálogos pode gerar. “Se não podemos pensar no futuro, a vida se torna penosa e entristecida”, argumenta Valéria. Ou seja, esse pode ser um problema maior que o profissional de saúde da linha de frente irá carregar mesmo após a pandemia.

Ainda pensando no risco presente em ambientes hospitalares, outro fator que acomete a saúde mental dos profissionais da saúde, como relembra a professora do CEUB, é a dificuldade de tentar conter os vírus estando inserido em um cenário precário quando se trata de estrutura. Os leitos são mal geridos e insuficientes, faltam profissionais qualificados para a realização dos procedimentos, assim como os devidos equipamentos, há deficiência nas assistências primárias e, sobretudo, um uso ineficiente do pronto atendimento, o que torna a rotina mais estressante e cansativa. “São situações que dificultam o manejo do paciente e geram desconforto. Os profissionais, muitas vezes, são pressionados a agir como se a vida deles não fosse impactada pelo que estamos vivendo como sociedade”, desenvolve a profissional de psicologia.

Com toda a sobrecarga suportada pelos profissionais da linha de frente, estes, por sua vez, precisam encontrar novas formas de atender e diagnosticar as pessoas que chegam no consultório com as mais distintas dúvidas e medos. “Assuntos que são debatidos no meio técnico e científico precisam ser levados de forma que o paciente entenda”, diz. “Desde o início estamos tendo todo o cuidado e atenção para explicar aos pacientes como se dão as formas de tratamento, medicação e cuidados”, compartilha Victor Bertollo.

O infectologista afirma ainda que a velocidade de propagação da omicron é sem precedentes, com recordes diários de casos, inclusive em profissionais de saúde. “Estamos tendo elevado absenteísmo destes profissionais devido a contaminação pela covid-19, impactando nas escalas de serviço e sobrecarregando os profissionais já sobrecarregados pela avalanche de casos”, salienta. Ele destaca, inclusive, que os pronto-socorros estão lotados de casos de contaminação por covid, de maneira mais intensa do que nas ondas anteriores. “Se observa ainda uma elevação nas internações hospitalares e leitos de UTI, porém com intensidade bastante reduzida em relação aos picos anteriores”, finalizou.

Para lidar com essa realidade, a sugestão de Valéria adverte que não há uma forma fácil de enfrentá-la. No entanto, buscar se desligar totalmente desses assuntos, quando possível, e se conectar com coisas que te dão prazer é um bom começo. “Ter momentos de lazer, respeitar esse momento e tentar não se ocupar com questões do trabalho, pode facilitar. Os momentos de tempo pessoal são importantes, ainda que possam ser poucos. Ir gradativamente incorporando atividade física é essencial”, recomenda. “Os profissionais da linha de frente estão lidando com as dificuldades das pessoas nesse momento. Tenho acompanhado trabalhadores que estão se sentindo desmotivados, com insônia e muita irritabilidade”, revela a especialista.

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Fonte: R7 – Brasil

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