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Seis mitos clássicos em saúde mental

Certos mitos atemporais e de séculos ainda prevalentes na psiquiatria impedem que milhões de pessoas procurem ajuda e tratamento precoce das doenças mentais. Precisamos combatê-los à luz da ciência.

Dr. Joel Rennó Jr.

Pixabay

Ao longo dos meus 30 anos como psiquiatra e tendo atendido milhares de pacientes, aprendi humildemente que algumas questões e dúvidas da área de saúde mental ultrapassam gerações e são, portanto, atemporais.

Isso depois de grandes avanços das neurociências, centenas de entrevistas na imprensa leiga, que cada vez mais divulga conceitos importantes na área. Alguns famosos de diversas áreas contam suas histórias, dramas e sofrimentos tentando também sensibilizar as pessoas na procura por ajuda precoce.

Escolhi colocar aqui seis mitos clássicos da área de saúde mental a vocês do R7:

1) Psiquiatra só passa remédio: em primeiro lugar, os psiquiatras qualificados fazem um diagnóstico psiquiátrico preciso. Na área de saúde mental, o diagnóstico deve ser realizado com muito cuidado, para que o tratamento seja o adequado. O nível de comprometimento e sofrimento entra na avaliação; nos casos leves, técnicas de psicoterapia cognitiva comportamental e interpessoal, mindfulness ou meditação, exercícios aeróbicos, alimentos específicos e mudanças no estilo de vida podem ser suficientes. Os medicamentos são utilizados quando realmente necessários.
2) Os remédios vão causar vício e deixar o paciente dopado: há muita confusão entre os diferentes tipos de medicamentos psicotrópicos, ou seja, que atuam no sistema nervoso central. A maioria dos medicamentos psiquiátricos como antidepressivos e estabilizadores do humor não causa dependência jamais. Alguns usam o argumento de que quando cessam a medicação os sintomas voltam, mas isso ocorre porque alguns transtornos mentais como a depressão podem ser doenças crônicas em muitos pacientes e não porque o medicamento causou dependência. O bom tratamento melhora a qualidade de vida das pessoas. O cuidado deve ser a autoprescrição ou o uso prolongado dos benzodiazepínicos, os populares ansiolíticos, calmantes ou tarja preta. Estes, se mal administrados, podem sim causar dependência e dar sonolência.
3) Psiquiatra é médico de louco: esse é um jargão extremamente preconceituoso e que ainda intimida ou atrapalha o tratamento de muitas pessoas. Transtornos depressivos e ansiosos, entre outros, podem acontecer com todas as pessoas, vulneráveis ou não, em qualquer fase da vida. Ninguém tem resiliência infinita ao longo de sua existência. Quem nega em si mesmo essa possibilidade precisa se conhecer melhor.
4) Só casos graves devem ir ao psiquiatra: muito pelo contrário. Assim como ocorre nas doenças físicas, nas doenças mentais o diagnóstico precoce é essencial para que quadros graves e até com possíveis desfechos trágicos (suicídio, dependência química) sejam evitados ou prevenidos.
5) Psiquiatra é coisa de gente medrosa, fraca, preguiçosa ou sem fé: essa acusação, além de leviana e inverídica, tem um preconceito enorme implícito. Hoje as doenças mentais são classificadas pela Organização Mundial da Saúde e diversas descobertas científicas têm propiciado tratamentos cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Há uma base neurobiológica para diversos transtornos mentais, não é “defeito de caráter” ou fraqueza ter uma doença mental, como qualquer outra doença classificada.
6) As doenças psiquiátricas são invenções da indústria farmacêutica: relatos de melancolia ou alterações de humor existem há séculos. Não é uma invenção da modernidade jamais. Hoje temos pesquisas científicas sérias sobre as causas, diagnóstico e tratamentos dos transtornos mentais. As indústrias farmacêuticas investem muito dinheiro em pesquisas reguladas por órgãos competentes como EMA (Agência Europeia de Medicamentos), CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) e FDA (agência de regulação de alimentos e remédios), ambos dos EUA, e Anvisa (Brasil), todos órgãos regulamentadores éticos e sérios para a aprovação segura dos diversos medicamentos da área de psiquiatria e outras especialidades médicas. A indústria farmacêutica não participa da elaboração dos métodos diagnósticos das doenças mentais. Essa fake news precisa ser combatida por todos nós, porque é lesiva aos pacientes que tanto sofrem com doenças mentais graves.

Fonte: R7 – Saúde

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