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Newton Cruz foi o mais famoso representante da ‘linha-dura’ do período militar

General Newton Cruz, em foto de 1984

General Newton Cruz, em foto de 1984 Adão Nascimento/Estadão Conteúdo – 31.03.1984

Morreu neste sábado (16) uma das personalidades marcantes do período militar que vigorou de 1964 a 1985. O general Newton Cruz faleceu, aos 97 anos, de causas naturais no Hospital Central do Exército, em Benfica, na cidade do Rio de Janeiro.

Figura polêmica, foi integrante da linha-dura derrotada (ou temporariamente neutralizada) durante os governos Geisel e Figueiredo (os que promoveram a abertura “lenta, gradual e segura” para o retorno à democracia).

Cruz chefiou o SNI (Sistema Nacional de Informação, a nossa CIA) entre 1977 e 1983. Ficará para sempre como um dos militares de alta patente que participaram do atentado ao Riocentro, marco divisor da ditadura militar.

Tratou-se de um ataque terrorista articulado por integrantes do Exército brasileiro e da PM do Rio em 30 de abril de 1981. O objetivo dos criminosos fardados (depois absolvidos pela Justiça Militar) era incriminar opositores ao regime e, dessa forma, impedir a abertura política em andamento. No local, se encontravam 20 mil pessoas durante um espetáculo de MPB em comemoração do Dia do Trabalhador.

Por sorte da democracia, o atentado mostrou-se desastrado e duas bombas explodiram por acidente longe da multidão, vitimando um sargento e um capitão. Newton Cruz foi denunciado, em 2014, pelo Ministério Público Federal, por participação nesse ato que pretendia deixar milhares de vítimas civis. Meses depois, recebeu da Justiça um habeas corpus que impediu sua prisão.

Cruz também esteve envolvido em outro episódio emblemático da transição do regime militar para a redemocratização do Brasil: o jornalista Alexandre von Baumgarten, notório apoiador da linha-dura militar, foi assassinado em 1982. Prevendo que seria alvo de uma “queima de arquivo”, Baumgarten deixou um dossiê no qual afirmava que fora jurado de morte e acusava diretamente o general Newton Cruz de ser o autor da sentença.

Esse capítulo da nossa história nunca foi completamente esclarecido — e Cruz, indiciado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil, foi absolvido da acusação, em 1992.

O general deu uma rara entrevista ao notável jornalista, também falecido, Geneton Moraes Neto. Nela, praticamente assume ser um dos autores do atentado ao Riocentro, mas garante que, na sequência desse fato, impediu que outros ataques da mesma natureza fossem cometidos por integrantes do Exército.

Newton Cruz, sem dúvida, conheceu e participou de forma profunda dos bastidores e holofotes do período militar. Como nenhum outro, incorpora e representa um momento crucial da nossa história, no qual a ala mais radical das Forças Armadas foi derrotada pelos generais que apostavam no retorno do Brasil à estabilidade democrática.

Fonte: R7 – Brasil

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