Uerj abre inscrições para o vestibular
Venda de veículos tem alta de 19,33% em setembro, diz Fenabrave
Hospital de Ceilândia vai ganhar reforma de R$ 11 milhões
Brasília recebe torneio internacional de tênis a partir desta sexta (7)
Governo reformou e construiu mais de 200 praças no Distrito Federal

Invicto, expulso, tem o Cruzeiro, com dívida de R$ 1 bilhão, nas mãos. Aos 69 anos, Luxa renasce na Segunda Divisão

Luxemburgo encontrou seu lugar no futebol brasileiro atual. Está bem na Segunda Divisão

Luxemburgo encontrou seu lugar no futebol brasileiro atual. Está bem na Segunda Divisão Bruno Haddad/Cruzeiro

São Paulo, Brasil

Era a nona partida sem derrota.

Mas poderia ser a quinta vitória e não o quinto empate.

Só que Marco Antônio tocou o braço direito na bola, antes de a ajeitar para Moreno marcar o gol, que seria anulado aos 52 minutos do segundo tempo.

E o Cruzeiro apenas empatou com o Operário, na Arena do Jacaré, em 1 a 1, em Belo Horizonte.

Ele ficou histérico, revoltado, andando de um lado para o outro. Reclamando, cobrando o árbitro Rodrigo Dalonso Ferreira. Até receber o cartão vermelho, expulso.

Aos 69 anos, Vanderlei Luxemburgo renasceu no Cruzeiro.

A idade não o modificou. Segue um grande motivador de time, sem novidades táticas, busca na compactação, na vibração, na luta do seu elenco limitado, uma arrancada para a volta do time bicampeão da Libertadores à Série A, de onde foi expurgado, rebaixado em 2019.

Seu time é o 12º colocado, com 30 pontos, a 11 distante do quarto colocado. Lembrando que apenas os quatro primeiros sobem para a Série A. 

Luxemburgo ao menos recuperou a esperança do então abatido clube.

A dívida de mais de R$ 1 bilhão faz o Cruzeiro viver sua maior crise da história. Com dezenas de processos e ex-dirigentes investigados por corrupção.

Vanderlei sabe de tudo isso quanto assumiu. Assinou contrato até dezembro de 2022.

Na seu planejamento, o Cruzeiro sobe para Série A este ano e ele comandará a equipe na Primeira Divisão no próximo ano.

Será a oportunidade para voltar à elite do futebol brasileiro. Porque desde que rebaixou o Vasco da Gama no Brasileiro de 2020, ele foi largado no limbo. Sem convites para trabalhar na Série A. O próprio Vasco, rebaixado, não quis continuar com ele como treinador, apesar de haver treinado o time ‘de graça’. Esperava firmar contrato mas foi sumariamente dispensado.

Ele ficou desempregado até os Brasileiros da Série A e Série B começarem. Ele assumiu o clube mineiro na 18ª colocação, no lugar de Mozart.

Luxemburgo só assumiu porque teve a garantia que irá receber seu salário em dia.

Levou para a Toca da Raposa o tetracampeão Ricardo Rocha, como diretor técnico. Na verdade, elo entre a Comissão Técnica e os jogadores.

O Cruzeiro perdeu a apatia com Luxemburgo. 

Tem lutado muito para tentar tirar a diferença dos quatro primeiros colocados. O clube já disputou 24 das 38 rodadas. Ou seja, restam 14 rodadas para definir o futuro do Cruzeiro.

Com o veterano treinador no comando, de 27 pontos disputados, conquistou 17.

A situção não é nada fácil. Pelo contrário, as chances de volta à Série A são pequenas.

Ainda mais o time desperdiçando dois pontos como o de ontem.

Suas explicações são mais desabafo.

Luxemburgo com o limitado elenco do Cruzeiro. 'Ganhou' os jogadores ao exigir salários em dia

Luxemburgo com o limitado elenco do Cruzeiro. ‘Ganhou’ os jogadores ao exigir salários em dia Bruno Haddad/Cruzeiro

Por haver sido expulso,seu time ter jogado mal. E, repassando a culpa pelo empate, ao árbitro.

“Foi um jogo totalmente complicado. Começou com o quarto árbitro, onde eu só falei para ele que o jogador do Operário estava há menos de sete metros no escanteio, a bola até bate nele, no primeiro escanteio que tivemos e ele já veio falar comigo com o dedo em riste. ‘Você já vai começar a perturbar?’.

“E eu falei ‘não, eu estou falando para você que o jogador do Operário está avançado’. Ele me disse ‘você vai começar a tumultuar o jogo?’. ‘Não, eu só estou te avisando que o jogador está atrapalhando e me prejudicando’. Então ele veio e colocou o dedo na minha cara. Nem ele e nem ninguém pode fazer um negócio desses. Tem que ter respeito. Então ele coloca o dedo na minha cara, tanto é que eu fui falar com o árbitro sobre isso daí, o árbitro falou que ia falar com ele (o quarto juiz).”

Luxemburgo segue o mesmo roteiro de sua carreira.

Nos resultados negativos, como o de ontem, sempre há um culpado.

E nunca é ele.

Agora, Luxemburgo tem trabalhado muito, administrado os treinos.

O carioca de 69 anos sabe.

Ou emplaca um bom serviço na Toca da Raposa ou seguirá distante dos clubes grandes. Ele tem a plena consciência que pode estar no seu último trabalho.

Daí a revolta com a arbitragem e a expulsão após o gol anulado.

Ele tem o grupo nas mãos.

Utilizou a velha tática de exigir salários em dia dos atletas.

E divulgar pela imprensa, lógico.

Os contagiou com o discurso motivador que aprendeu no livro Inteligência Emocional.

Luxemburgo se reencontrou importante, respeitado, e com um trabalho significativo.

E tem se mostrado um bom técnico da Segunda Divisão.

Situação constrangedora para quem já comandou a Seleção Brasileira e o Real Madrid, por exemplo.

Mas as coisas são como são.

Se ele não conseguir fazer o Cruzeiro subir este ano, pelo menos tem a certeza de mais um ano na Série B em 2022.

Desempregado, ele não ficará, aos 70 anos…

Compartilhe este conteúdo!

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.