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Ícone no início do século, Ipatinga aposta em SAF para resgatar os dias de glória e escapar do fim

Lance

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Depois de quase fechar as portas por conta de uma grave crise financeira, o Ipatinga apelou para a SAF para não só manter as atividades, mas também procurar resgatar os tempos de glória do início do século, quando o Tigre do Vale do Aço mineiro despontou como uma das equipes emergentes mais promissoras do Brasil.

O Ipatinga estreia no Módulo II do Campeonato Mineiro (referente à segunda divisão), nesta quinta-feira (28), às 19h30 (de Brasília), contra o Tupi, no Ipatingão.

A partida, contudo, correu sério risco de não acontecer. Isso porque devido às dívidas, inclusive com a Receita Federal, processos trabalhistas aos montes e os parcos recursos financeiros, o Tigre não desistiu por pouco da competição. O acordo com a SAF traz um alívio.

O anúncio da pré-venda da SAF aconteceu nesta segunda-feira (25). O comprador é o grupo Kraken Esportes e Entretenimento Participações SA, uma espécie de join venture árabe-brasileira que atua nas áreas de mineração, exploração de petróleo, tecnologia, energia, assim como no mercado imobiliário e de entretenimento.

Segundo os dirigentes, o nome do clube mudará para USD Sports Ipatinga, e a empresa ficará responsável pela marca da agremiação e a receita com investimentos na própria plataforma.

– É um momento de muita alegria para nós. Vivemos uma turbulência nos últimos dias com a incerteza se disputaríamos ou não a competição. Com a divulgação do atual momento do clube, várias empresas e empresários nos procuraram. A proposta da USD Sports foi a que mais chamou a nossa atenção e transmitiu muita segurança. Conseguimos avançar e neste momento já estamos realizando as inscrições dos atletas para que possamos disputar a competição. Tenho certeza que teremos novos rumos a partir de agora e voltaremos a figurar no cenário nacional como fizemos um dia – disse o presidente do Tigre, Nicanor Pires Ataíde.

CEO da Kraken e USD Sports, Marcos Ferraz comentou sobre alguns planos para a gestão do Ipatinga.

– Criaremos promoções e formas de fazer com que a torcida ganhe com a gente. Não seremos um time administrado por uns, seremos um time de uns, administrado por milhares. Esse é só um dos investimentos no esporte que a Kraken Holding, Inc. pretende fazer nos próximos meses e ter a USD Sports trazendo essa evolução para o time, será demais. O USD Sports Ipatinga será um novo capítulo de uma história muito bonita.

Mais detalhes sobre o acordo para pré-venda da SAF do Ipatinga ao grupo Kraken e USD Sports serão divulgados em coletiva a ser agendada para a próxima semana, na cidade do Vale do Aço.

– Nós vamos trazer o time para a nova fase do futebol global. Vamos criar uma governança descentralizada por meio de nossas plataformas digitais da qual todos os torcedores e investidores poderão participar e tomar decisões, juntos, com o poder na palma da mão – completou o CEO.

Caso desistisse da disputa do Módulo II, o Ipatinga estaria automaticamente rebaixado à Segunda Divisão do Mineiro (na prática, a terceira). Além disso, o clube estaria sujeito a uma multa de até R$ 200 mil e suspensão de dois anos de todas as competições chanceladas pela Diretoria de Competições da Federação Mineira de Futebol.

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Walter Minhoca

Walter Minhoca Lance

Walter Minhoca (direita) é ícone do clube (Foto: Acervo Lance!)

ENTRE A GLÓRIA E O OCASO: CLUBE TEM HISTÓRIA DE FORTES EMOÇÕES

Não há quem acompanhou futebol brasileiro no início dos anos 2000 e não conheça o Ipatinga. Fundado em 21 de maio de 1998, o clube que carrega o nome da cidade que que o sedia, no Vale do Aço, nasceu da vontade de Itair Machado, hoje mais conhecido pela tumultuada passagem no comando do futebol do Cruzeiro, mas na época um ex-atleta da própria Raposa e do rival Atlético que patrocinava o Social, da vizinha Coronel Fabriciano. Graças ao apoio do poder público e empresários locais, o dirigente conseguiu profissionalizar o Nova Cruzeiro, então um clube amador que leva o nome de um bairro do município.

A ascensão do Ipatinga foi rápida: já em 2005, sete anos após sua fundação, conquistava o título de campeão mineiro, superando os tradicionais América, Atlético e Cruzeiro. Por pouco não repetiu o feito em 2006, perdendo o título na final para a Raposa. Após alcançar o maior número de pontos na principal fase da disputa, o Ipatinga perdeu os jogos de mata-mata final, ficando com o vice-campeonato por diferença de um único gol.

O clube voltaria a surpreender, agora nacionalmente, na Copa do Brasil de 2006. O Ipatinga chegou às semifinais, depois de eliminar os tradicionais Botafogo e Santos, campeões dos seus respectivos estaduais naquele mesmo ano. Foi eliminado pelo Flamengo, que seria o campeão na final contra o Vasco.

Após o feito na Copa do Brasil, o Ipatinga fechou o ano com um terceiro lugar no Campeonato Brasileiro da Série C, subindo para a Série B. E, já em 2007, conseguiu o acesso à Série A.

O ano que marcaria a sua estreia entre os gigantes, contudo, foi o início da derrocada. No primeiro semestre, o Tigre foi rebaixado no Estadual. No Brasileirão, somou apenas 35 pontos e terminou na lanterna da competição.

Em 2010, mais um ano de tropeços. A equipe, que já havia voltado à elite estadual, agora caía para a Série C do Brasileirão. Essa passagem seria temporária, visto que no ano seguinte, mesmo sendo rebaixado de novo ao Módulo II do Mineiro, acabaria conquistando o acesso à Série B.

Em 2012, o clube não conseguiu retornar à elite do futebol mineiro, permanecendo no Módulo II para o ano seguinte. No âmbito nacional, realiza fraca campanha na Série B, incluindo a sequência inédita de 13 derrotas consecutivas. Foi também derrotado por duas vezes pelo placar de 6 a 0, contra Goiás e Joinville, sendo estas as maiores derrotas sofridas pela equipe. O clube também demonstrou dificuldades financeiras, com constantes atrasos no pagamento de salários, além de ver o público no estádio minguar.

As campanhas ruins, o desinteresse dos habitantes do Vale do Aço e a situação financeira desfavorável reforçaram as especulações de que o clube aceitaria um acordo com empresários de Betim para se transferir para esta cidade, na Grande Belo Horizonte. As especulações foram confirmadas quando seu presidente, Itair Machado, oficializou o pedido de transferência e quando a CBF reconheceu a mudança de nome e sede do clube.

Devido à ausência de estádio adequado na cidade de Betim, o clube mandou seus jogos do Módulo II na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, e na Arena do Calçado, em Nova Serrana. Foi eliminado na primeira fase do campeonato. Na Série C, após um problema judicial pelo qual o Betim foi ameaçado de exclusão, foi eliminado nas quartas de final pelo Santa Cruz.

Em novembro de 2013, após a saída de Machado do clube, ocorreu um acordo para o retorno a Ipatinga. O clube queria de imediato mudar seu nome novamente para o antigo, garantindo o uso do Ipatingão, mas seu registro na Federação Mineira e na CBF continuou sendo como Betim Esporte Clube até novembro de 2014, quando finalmente conseguiu readotar o nome antigo.

No dia 17 de abril de 2014, a CBF confirmou a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e formalizou o rebaixamento do Ipatinga (Betim) para a Série D do Campeonato Brasileiro. A decisão do Tribunal aconteceu pelo fato do time mineiro ter descumprido uma decisão internacional e entrado na justiça comum antes de esgotadas todas as instâncias da Justiça Desportiva.

A decisão da Primeira Comissão Disciplinar do STJD foi unânime. Além do rebaixamento para a série D da competição nacional, o Ipatinga também foi multado em R$ 30 mil. Em 2013, o clube perdeu seis pontos por causa de uma dívida com o Nacional da Ilha da Madeira, referente a contratação do lateral-direito Luizinho. A ordem da retirada dos pontos veio do Comitê Disciplinar da Fifa, sob o aval do Tribunal Arbitral do Esporte. Para evitar a perda dos pontos, o então Betim entrou com uma ação na justiça comum, impedindo que a CBF retirasse os seus pontos.

Após esse fato, a ladeira abaixo foi pouca. O clube chegou a ser rebaixado para a terceira divisão estadual.

Ipatinga x Palmeiras

Ipatinga x Palmeiras Lance

Ipatinga durante jogo contra o Palmeiras, em 2008 (Foto: Acervo/LANCE!)

QUEM SAIU DE IPATINGA PARA CONQUISTAR O BRASIL:

Ney Franco
Técnico
​Campeão mineiro e comandante na campanha histórica na Copa do Brasil, era técnico da base do Cruzeiro e foi emprestado ao Ipatinga. Saiu do Vale do Aço para o Flamengo. E de lá passou por alguns dos maiores clubes do Brasil.

William
Zagueiro
Após passagens apagadas por América-MG e Portuguesa, Willian foi o capitão do Ipatinga no título estadual,. de onde saiu para o Grêmio e depois foi o heroi corintiano em títulos importantes, como a Libertadores e o Mundial.

Muller
Atacante
O experiente Menudo do São Paulo, multicampeão, incluindo a Copa do Mundo de 1994, passou pelo Tigre em 2004 antes de encerrar a carreira

Marcelo Ramos
Atacante
Heroi do Cruzeiro e com passagens por Bahia, São Paulo e Palmeiras, é outro que passou pelo Vale do Aço em final de carreira​

Walter Minhoca
Meia
​ídolo do Tigre, é um dos nomes mais folclóricos que já passaram pelo Flamengo. Passou também por Cruzeiro e Guarani

Irineu
Zagueiro
Outro nome que saiu do Vale do Aço para reforçar o Flamengo após a Copa do Brasil.

Gérson Magrão
meia
​Mais um do bonde que deixou o interior mineiro rumo à Gávea, passou também pelo Santos. Ainda atua, passou recentemente por Portuguesa e Ituano

Leandro Salino
lateral-direito
​Outro que deixou o Ipatinga para o Flamengo. Durou pouco na Gávea

Dênis
lateral-direito
​Nascido em Ipatinga, passou por Santos, Corinthians e Bahia antes de encerrar a carreira

Luizinho
lateral-direito
Mais um a jogar por Flamengo e Santos depois do Tigre. É ídolo da torcida, mesmo sendo o pivô da confusão que acabou rebaixando o clube à Série D

Fonte: R7 – Esportes

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