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Greve de atletas e R$ 900 milhões de dívidas: a crise do Cruzeiro

A decisão dos jogadores do Cruzeiro de entrar em greve como forma de protesto aos recorrentes atrasos no pagamento de salários é só a ponta do iceberg na caótica crise da equipe mineira. Desde que o time foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2019, o clube mergulhou em um cenário melancólico de dívidas, processos trabalhistas e punições na Fifa, além de não conseguir retornar à elite do futebol nacional

Tudo indica que o Cruzeiro caminhará para o terceiro ano consecutivo na segunda divisão. Mas a falta de resultados dentro de campo diz mais sobre os bastidores do clube, do que o que acontece propriamente nas quatro linhas

Desde a gestão do ex-presidente Wagner Pires de Sá, mandatário do clube na época do rebaixamento, a Raposa viu crescer as despesas em ritmo acelerado, e a queda para a Série B atenuou a crise, especialmente porque as receitas não acompanharam o crescimento das dívidas

Quando assumiu o clube, em 2017, Wagner Pires tinha uma situação confortável, com dívida compatível com as receitas e ao patrimônio do Cruzeiro: cerca de R$ 385 milhões. No entanto, quando saiu da Raposa, deixou uma dívida de R$921 milhões, um aumento de quase 109%, entre salários, direitos de imagem, liberação de atletas, premiações, empréstimos e serviços de terceiros

Não bastasse o crescimento absurdo das dívidas, a queda para a Série B representou um corte profundo nas receitas do clube, por conta, especialmente, das menores receitas oriundas das cotas de televisão. Em 2020, o clube contabilizou receita líquida de R$120 milhões, 57% a menos que os R$280,8 milhões de 2019, época em que estava na Série A. Atualmente, o Cruzeiro tem déficit acumulado de R$921,1 milhões, contra um patrimônio de R$207,8 milhões

Como em qualquer empresa, quando sai mais dinheiro do que entra a conta não fecha. Desde 2020, o Cruzeiro sofre com atraso de salários, mas foi agora, em 2021, que essa situação chegou a um ponto inaceitável. Na quarta-feira, o elenco da Raposa entrou em greve e cobra o pagamento dos vencimentos que tem direito

O caos é tanto que foi inclusive o goleiro Fábio, grande ídolo da história recente do Cruzeiro, que tomou a frente no caso e foi o porta-voz da insatisfação dos atletas. “Chegamos ao ponto insustentável de termos seis meses de atrasos, o que demonstra a precária situação financeira a que estão expostos todos funcionários, que atualmente estão sendo socorridos pelo auxílio/ajuda financeira dos atletas profissionais para manutenção das necessidades básicas de sobrevivência”, diz trecho do comunicado publicado pelo jogador

Por conta dos atrasos salariais, que não são de hoje, o Cruzeiro viu a crise piorar ainda mais quando atletas começaram a entrar na Justiça contra o clube, caso de Robinho, Edílson, Dedé, entre outros. Só no caso de Dedé, por exemplo, representantes do zagueiro cobram indenização de R$ 330 milhões, o que inviabilizaria qualquer tentativa de recuperação financeira do clube

E quando o salário atrasa e os resultados não vem? Esse é mais um ponto delicado na Raposa, que desde 2020 já trocou seis vezes de técnico. Além de Luxemburgo, atual treinador do Cruzeiro, passaram pelo clube Enderson Moreira, Ney Franco, Felipão, Felipe Conceição e Mozart Santos. Para tirar o foco dos bastidores, o time mineiro troca de treinador sem pensar duas vezes, o que prejudica a sequência do trabalho e, consequentemente, afasta a equipe do acesso a Série A

E as coisas só não estão piores para o Cruzeiro por conta do apoio de Pedro Lourenço, do Supermercados BH, principal patrocinador da equipe e que já até quitou dívidas com o elenco. No entanto, o empresário não está gostando nada do atual momento do clube e não poupou críticas a Sérgio Rodrigues, que está em viagem pela Europa enquanto o Cruzeiro passa pelo momento mais grave de sua história

“Terceiro ano na Série B, incompetência total da gestão do Cruzeiro, que o Sérgio está aqui, é nosso presidente hoje, mas não ouve a gente. Eu acho que, se não tomar providência, vai ficar o resto da vida na Segundona”, desabafou o empresário, em entrevista para rádio Itatiaia

Uma das alternativas para o Cruzeiro sair do buraco é aderir ao modelo de Sociedade Anônima (clube-empresa), para viabilizar novas formas de receitas que ajudem o clube. No entanto, com a delicada realidade que vive a instituição, é cada vez mais difícil acreditar em soluções fáceis. Há muito trabalho pela frente. O time quatro vezes campeão brasileiro, hexacampeão da Copa do Brasil e bicampeão da Libertadores está longe de ser o mesmo, mas pode voltar a ser

Fonte: R7 – Esportes

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