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Crianças e adolescentes devem usar redes sociais? Veja dicas de especialistas

Nem sempre os ambientes digitais são lugares saudáveis, ainda mais para usuários jovens. O problema é que, atualmente, crianças e adolescentes querem acessar a internet cada vez mais cedo, o que preocupa grande parte dos pais.

O jornal Wall Street Journal revelou em setembro que pesquisadores no Instagram descobriram que o app pode ser prejudicial principalmente para garotas adolescentes – eles estudaram durante anos como o aplicativo de compartilhamento de imagens afeta os usuários.

De acordo com a pesquisa, o Instagram piora os problemas de imagem corporal para uma em cada três adolescentes. E entre os adolescentes que relataram pensamentos suicidas, “13% dos usuários britânicos e 6% dos usuários americanos atribuíram o desejo de se matar ao Instagram”, relatou o Wall Street Journal.

À época, a Meta (holding que engloba as marcas Facebook, Instagram e WhatsApp) publicou um comunicado em resposta, dizendo que, em parte, “a pesquisa sobre o impacto da rede social nas pessoas ainda é relativamente nova e está em andamento” e que “nenhum estudo isolado será definitivo”. A empresa observou em um comunicado que a rede social pode ter um efeito de “gangorra”, onde a mesma pessoa talvez tenha uma experiência negativa em um dia e positiva no outro.

Para alguns pais, as descobertas do estudo não foram surpreendentes, dado o predomínio de imagens alteradas e inatingíveis da plataforma, mas elas suscitaram uma questão importante: o que podemos fazer para ajudar nossos filhos a terem um relacionamento mais saudável com as redes sociais?

Vários especialistas ofereceram conselhos para pais de adolescentes sobre como navegar nas redes sociais, estejam seus filhos já acessando à internet ou prestes a receberem o primeiro smartphone ou tablet.

Abaixo, veja as dicas.

Seja ponderado

Em vez de dar ao seu filho um smartphone e permitir que ele baixe vários aplicativos de redes sociais, considere deixar ele enviar mensagens para um melhor amigo ou primo em um dispositivo compartilhado pela família no início, sugeriu Devorah Heitner, autora de “Screenwise: Helping Kids Thrive (and Survive) in Their Digital World” (Telas com sabedoria: ajudando crianças a ter sucesso (e sobreviver) no mundo digital, em tradução livre).

Depois, pense na idade mais adequada para seu filho começar a usar as redes sociais, levando em consideração a personalidade, impulsividade e nível de maturidade dele. Permita que ele baixe um aplicativo de rede social quando estiver pronto, disse Devorah, em vez de ser “oito ou oitenta”.

Se sua filha tem problemas com a imagem corporal, por exemplo, talvez um aplicativo como o Instagram não seja indicado para ela, disse Jean M. Twenge, professora de psicologia da Universidade do Estado de San Diego e autora de “iGen”, um livro sobre adolescentes e jovens adultos e a relação deles com a tecnologia.

Seu filho talvez queira usar um aplicativo como o Snapchat porque todos os amigos estão nele, apesar de o regulamento da empresa dizer que eles são jovens demais. E se isso acontecer, você pode entrar em contato com os outros pais para ver se há um modo alternativo para as crianças se comunicarem que permita a você manter-se fiel aos seus próprios valores, disse Devorah.

Jean, mãe de três filhos, tem esta regra geral: “Crianças que ainda não completaram 12 anos não devem estar nas redes sociais”, disse ela. “A resposta é não e a lei está ao seu lado.”

A lei a que ela se refere é chamada de Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças, que proíbe as empresas de coletar dados online de crianças menores de 13 anos – e, como consequência, as plataformas de redes sociais dizem que crianças menores de 13 anos não podem criar suas próprias contas. Mas crianças com 12 anos ou menos podem facilmente burlar quaisquer restrições com relação à idade nas plataformas de mídias sociais mentindo a respeito de seu ano de nascimento, disse Linda Charmaraman, diretora do Laboratório de pesquisa de juventude, mídia e bem-estar no Wellesley College.

Em 2019, mais de 90% dos 773 alunos do ensino fundamental que participaram da pesquisa durante a primeira fase de um estudo longitudinal conduzido pelo laboratório de Linda relataram que tinham seu próprio smartphone. Quase 75% dessas crianças já tinham começado a usar o Instagram ou o Snapchat, e mais de 40% tinham 10 anos ou menos quando começaram a usar esses aplicativos.

Estabeleça limites de tempo de uso

Não é como se assim que a criança completa 13 anos ela se tornasse repentinamente capaz de lidar com todas as questões que acompanham uma conta em uma rede social. Afinal, alguns adultos ainda têm dificuldades com isso.

Pense nas maneiras menos invasivas de estabelecer limites de tempo de uso e determine um modo de agir nas redes sociais em vez de monitorar constantemente as interações online de seus filhos e tente parecer mais solidário e prestativo do que alguém preocupado, chocado ou repressor, Devorah sugeriu.

Quando você decidir que seus filhos estão prontos para ter o próprio dispositivo, não deixe que eles tenham acesso a ele 24 horas por dia, sete dias por semana, aconselharam os especialistas. Não deixe telefones, tablets ou outros dispositivos eletrônicos no quarto de seu filho à noite. E se ele usar o telefone como despertador, compre um aparelho que não esteja conectado à internet, disse Jean.

Escolha uma plataforma e um período de tempo de uso, acrescentou ela. Você poderia dizer, por exemplo, que seu filho pode usar o Instagram durante 30 minutos por dia. Você pode determinar esse limite usando seu telefone – em aparelhos da Apple, procure as configurações de Compartilhamento familiar e no Android você pode usar um aplicativo chamado Family Link. Quando o limite de tempo acabar, o aplicativo no telefone do seu filho não poderá mais ser acessado. Para impedir downloads indesejados, há também uma configuração “Ask to Buy” (Pedir para comprar) nos telefones da Apple que enviará uma solicitação aos pais quando os filhos quiserem comprar ou baixar um novo aplicativo.

Se você tem um filho que entende de tecnologia e talvez tente desativar configurações como essa, talvez seja necessário pegar o dispositivo das mãos deles depois do limite de tempo, disse Devorah.

Você também pode considerar comprar um celular Gabb para seu filho, que não permite acesso a internet ou baixar aplicativos, ou um Pinwheel, um smartphone com vários controles parentais integrados, inclusive um que permite monitorar as mensagens de seu filho.

Um relatório de 2019 da Common Sense Media constatou que a maioria dos pré-adolescentes e adolescentes com um telefone ou tablet não usa aplicativos ou ferramentas para monitorar o tempo de uso do dispositivo. No entanto, os especialistas disseram que isso é algo que pode beneficiar a todos, inclusive aos pais.

Se você preferir não monitorar o uso das redes sociais eletronicamente, pode simplesmente pedir a seu filho para entregar o telefone enquanto ele se concentra na lição de casa ou em outra atividade, disse Jean.

É importante que as crianças (e adultos) entendam que quanto mais damos atenção aos nossos celulares, menos estamos investindo energia no resto de nossas vidas e, como consequência, “o resto de nossas vidas, de fato, se torna menos interessante”, disse Anna Lembke, chefe da clínica de dependências da Universidade Stanford e autora de “Dopamine Nation” (Nação Dopamina, em tradução livre).

Na hora das refeições e em outros momentos, os integrantes da família precisam “coletivamente voltar a atenção uns para os outros”, disse ela. “Temos que fazer isso para preservar essas conexões.” Seja honesto sobre suas próprias dificuldades em controlar o tempo que acessa as redes sociais. Fique um tempo sem dispositivos digitais quando necessário e incentive seus filhos a fazer o mesmo também.

“As plataformas de redes sociais são desenvolvidas para serem viciantes”, disse Jean. “Não é apenas um problema individual, é um problema de grupo.”

Ajude o adolescente a escolher quem ele acompanha nas redes

Um estudo publicado em 2016 descobriu que menos da metade dos pais que participaram da pesquisa conversavam regularmente a respeito do conteúdo das redes sociais com os filhos pré-adolescentes e adolescentes.

Mas os especialistas disseram que é benéfico conversar com seu filho adolescente sobre quem ele está seguindo e como se sente em relação ao conteúdo.

Devorah alertou que os adolescentes devem ser cautelosos principalmente com quaisquer sites de dieta ou exercícios porque eles podem “tomar conta do feed” e talvez encorajar pensamentos ou comportamentos não saudáveis. Os algoritmos oferecerão conteúdo relacionado a quem seus filhos seguem, ao que procuram e como navegam na internet.

Laura Tierney, fundadora e CEO do The Social Institute, uma organização que ensina alunos de todos os Estados Unidos a navegar nas redes sociais de maneira positiva, aconselha os adolescentes a pesquisarem as configurações das redes sociais para descobrir por que certos anúncios aparecem em seus feeds.

Comece visitando as configurações do aplicativo do Instagram, em seguida, escolha “segurança” e “acessar dados”. Em “interesses em anúncios”, você pode ver as coisas específicas que o Instagram acha que você gosta, com base em seus dados pessoais. Na experiência de Laura, “a maioria dos alunos não tem nem ideia de que isso existe”.

Ela também sugeriu ajudar seu filho a encontrar modelos de comportamento interessantes. “Trata-se de se cercar de influências positivas”, disse ela. Eles podem ser colegas ou celebridades como a ginasta Simone Biles. Se o feed de seu filho apresenta relatos que estão afetando a autoestima dele, essas são as contas que ele precisa deixar de seguir o quanto antes, disse Laura.

“Como responsável, sua função é ouvir e fazer perguntas que não podem ser respondidas apenas com sim ou não”, acrescentou ela. Para começar, você pode perguntar quais são os cinco perfis mais interessantes para seu filho e os que menos vê – e compartilhar com ele os seus também – e falar sobre por que você os classificou assim.

“Você quer estar cercado de perfis que lhe ajudem a se tornar a melhor versão de si mesmo”, disse ela./ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Estadão Conteúdo

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Fonte: R7 – Brasil

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