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2ª Divisão do Candangão: Bolamense não tem reservas, técnico ou bolas, diz ex-diretor

A situação do Bolamense FC, neste início de 2ª divisão do Campeonato Candango, é de drama e conflitos internos. Acusações contra o presidente do time, António Teixeira, falta de técnico e de jogadores no banco de reserva e até de bolas para treino expõem um cenário de imprevisibilidade. Mesmo assim, a equipe não desiste.

A “Onça Pintada”, na estreia da divisão de acesso da competição mais importante da capital federal, teve apenas 11 atletas em campo. Não tinha suplentes no banco de reservas. Quem esteve presente no Estádio Serra do Lago, em Luziânia (GO), contra o Planaltina, no último sábado (25), sabia que a derrota já não era uma surpresa.

Após a derrota por 2 a 0, o Bolamense não esboçou expectativas na competição. Ao término da partida, o ex-diretor de futebol, Bruno Alemão, anunciou por meio de suas redes sociais seu desligamento do cargo. Junto dele, o técnico Allen Godinho também deixou o elenco: “Na data de hoje 25/09 venho informar que me desligo da instituição Bolamense. Sempre vou trabalhar com transparência, honestidade e muita organização. Alguns brincam futebol no DF, infelizmente, tentei evitar o inevitável, tenho um nome a zelar”, disse Allen Godinho.

Além de Bruno Alemão e Allen Godinho, deixaram a equipe Alexandre de Almeida (auxiliar técnico), Wander Lira (preparador físico) e Gabriel Alves (treinador de goleiros).

Improviso

Bruno Alemão, ex-diretor de futebol, reclamou que “tudo foi feito na base das promessas e do improviso”. Ao responder sobre a preparação da equipe, Alemão reforçou a falta de informações para registrar os jogadores na competição. “Eu pedi a senha da nossa gestão web na primeira semana de treino. O presidente me passou sexta-feira à noite (às vésperas da partida), porque não tinha mais saída. Nós tínhamos apenas 5 atletas registrados no BID”, explicou.

Naquele momento, já eram 18h40. “Tudo o que eu falava, ele (o presidente) dizia que eu não entendo, porque sou principiante, sou iniciante no futebol”, retrucou.

Sobre a inscrição dos atletas, Bruno disse que o auxiliar técnico (Alexandre Almeida) ligou e lamentou o eventual W.O. “Eu fiquei com dó dos jogadores e acionei o Alexandre para completar os 11 atletas, que eu mesmo irei pagar”, relatou.

Escalação fornecida pelo Bolamense à beira do estádio Serra do Lago, no último sábado – Foto: Reprodução 

Série antiga, episódio novo

Em 2018, o Bolamense já havia sido notícia negativa em reportagem apurada pelo GloboEsporte.com, em descumprimento de contratos da equipe com ex-jogadores, ex-técnico e prestadores de serviço, além de ser rebaixado de divisão.

Outro episódio, mais recente, foi na temporada passada, a equipe de Antonio Teixeira sofreu logo na estreia, perdendo por W.O para o SESP Samambaiense time gerenciado pelo próprio Bruno Alemão. Naquela ocasião, a equipe sofreu mais duas derrotas, dando adeus a mais uma participação.

“Todos nós somos os culpados, menos ele. Falta comida nos alojamentos. Ele culpa a equipe de cozinha. Não conseguimos bola da federação”.

Presidente Antonio Teixeira ao lado do Diretor, Bruno Alemão, durante a preparação do Bolamense – Foto: cedida por Jonas Pereira /@johnz_fotografia

Preparativos para a estreia

No dia anterior à estreia, o Bruno Alemão diz ter procurado o Pastor Antônio para buscar o material de rouparia da equipe que seria utilizada na partida. “Fui até ele buscar o uniforme e ele ficou bravo, não queria dar os uniformes. Marcamos o horário da saída do alojamento às 8h e não tinha café da manhã pros jogadores. O tio de um dos atletas ajudou com a refeição”.

Os uniformes chegaram, segundo o ex-diretor, às 8h30, horário programado para chegada em Luziânia e só tinham 12 camisas com shorts, além de sete meiões. “Uniforme de goleiro não tinha, ele chegou com uniforme (de goleiros) faltando 10 minutos para o início da partida. A bola não tinha, tive que pedir para o Guilherme ceder as bolas”.

O outro lado

Em entrevista, o presidente do time disse que Bruno Alemão se ofereceu para bancar todas as despesas. “Montar elenco e executar as tarefas técnicas através de uma comissão técnica chefiada por ele”, citou.

O presidente do Bolamense disse que o ex-diretor queria ter acesso a senha e ao login do clube para trazer e contratar jogadores. “O Alexandre (auxiliar técnico) é um mentiroso contumaz e disse que só queria um espaço para aprender a profissão de técnico de futebol e nem queria salário algum. Quando esses dois sem caráter achavam que já tinham espaço dentro do clube, começaram a seduzir os jogadores e a constranger o próprio presidente do clube. Bruno oferece caixas de frutas que ele consegue a favor de um suposto projeto social e Alexandre se oferece para colaborar em tudo o que for necessário dentro do clube”, alega.

Sobre a quantidade de atletas no BID, o presidente da equipe diz que havia mais de 30 jogadores no BID contando com os atletas dos juniores e os do ano passado.

“Nós tínhamos cinco titulares com os quais queríamos jogar, mas não conseguimos cadastrá-los. Mas tínhamos outros que jogaram. Esta foi uma das razões que nos levou a identificar as astúcias dessa dupla. Agora, depois de terem sido botados para fora do clube, fazem diversas acusações e fazem campanhas difamatórias, certamente porque fracassou o projeto que tinham de montar balcão de negócios aqui”, concluiu.

Apesar dos problemas, o Bolamense se mantém no campeonato. A próxima partida é contra a ARUC no próximo domingo (03.10), às 15h, no Estádio Ciro Machado, na Vila Planalto.

Por Gabriel Teles

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